quarta-feira, maio 14, 2008

:(

As palavras e os livros desvaneciam-se pelo pó que teimava em acumular no chão, o quarto jazia numa desarrumação crónica, num abandono que não disfarçava a tristeza k se sentia no ar. Sentado numa cadeira distingue-se, a custo, um corpo prostrado, parte integrante daquele quarto, como se fosse apenas mais um objecto, sem sonhos, sem alma…
Olhava fixamente para a chuva a beijar a janela, muito pouco já lhe importava além destas coisas. O vidro, a janela, a chuva… Aquilo que ainda lhe trazia a paz de espírito para sobreviver.
O olhar, era um olhar de fim do mundo, daqueles fixados em tudo e em nada, daqueles que tocam o horizonte, com a pena de não ficar e a necessidade suprema de ir. Na face perdeu a habilidade de sorrir, nem o mais furtivo dos sorrisos conseguia hoje penetrar na muralha que erguera em volta de si. O rosto era fechado, frio, triste… E havia soluções sim, não que ele pedisse algum Santo Graal. Apenas que a gente se portasse como tal e que as palavras que se dizem, fossem mais do que simples sons atirados para o chão, como um simples pedaço de lixo. Talvez fosse pedir demais, que a sede de realização de alguns não se limitasse a causar sofrimento a outros

2 comentários:

Nandita disse...

às vezes são os dias à nossa voltam que nos moldam, outras vezes somos nós que destruimos os dias, pelas mágoas que carregamos. e nao merecemos perder assim os dias, continuo a acreditar.
Depois de todo o empolamento em torno de palavras que nao sao mais do que isso, percebi pelo sofrimento de outros que há ninharias que nao têm justificação. nao, se nos queixamos de pisadelas no pé ao lado de pessoas que acabam de ser amputadas.
Desculpa, mas há mais mundo fora desse quarto. Fica bem
beijo

Teresa Raposo disse...

Ainda bem que era triste, isso é passado e o tempo não volta para trás. Acorda p'ra vida! E quero aqui deixar o meu agradecimento, pela boleia até à sebenta :) Beijinhos