segunda-feira, janeiro 28, 2008

A noite finalmente acordou o dia… O hábito natural ao escuro de sempre, tornou a luz pouco menos que insuportável. Tudo isto não durou mais que poucos momentos, já que a dor da desabituação foi-se desvanecendo perante a libertação dos raios de sol que lhe queimavam a pele. A manhã demorou demais a passar e de repente o mundo parecia-lhe pedir que saísse e ele cedeu.
Fez-se à estrada e tudo o que circulava parecia-lhe muito mais vivo, como se todo o mundo renascesse com ele. Sorriu à menina da portagem, que era por sinal muito bonita, mas sem perder tempo seguiu numa tranquilidade apressada até ao destino.
Chegou. Um sorriso, dois beijos e vai de voltar à estrada que não era tempo, nem local para coisa nenhuma. Estacionou o carro, por acaso, num sitio especial (quem é que disse que não há coincidências?) e seguiram caminho a pé por becos e ruelas, que lhe pareciam hoje muito menos lúgubres, muito menos mortas. Tinha aprendido a gostar das ruas, do céu, das gentes, daquele encanto especial que primeiro se estranha e depois se entranha.
Caminharam sempre ao longo do rio, que hesitava entre o reflexo da cidade e o reflexo da felicidade que se desprendia dos seres com uma energia quase atómica. As pessoas passavam por eles e incompreensivelmente pareciam indiferentes, como se não notassem que todo o mundo tinha mudado da noite para o dia.
Sentaram-se na esplanada, a mais chegada ao rio e no entanto longe demais. Por vontade dele levariam as cadeiras, e tomariam café sobre as pequenas ondulações, que o chamavam como que sereias. Ficaram-se pela terra…
Conversaram sobre tudo e sobre nada, sorriram por tudo e por nada, como se sentissem que o silêncio faria apagar a luz e acabar o dia mais cedo. O café nunca lhe soube tão bem, dispensou o açúcar porque a doçura da companhia era superior a qualquer açúcar jamais descoberto.
Passou-se tempo, não soube precisar quanto, tinha na verdade, esquecido o próprio conceito do passar das horas. A luz desvaneceu-se, levantaram-se e caminharam de novo até ao carro, por um caminho diferente, que ele secretamente desejava que fosse mais longo. Não foi… Levou-a de volta e seguiu caminho, de sorriso estampado.

“Minha alma pede a Deus que me deixe cá voltar”

Peço desculpa pelo tamanho :p

2 comentários:

Nandita disse...

loool essa de pedir desculpa pelo tamanho das coisas faz-me vontade de mandar bocas foleiras :P

mas nao mando... é um prazer ler-te, mesmo que seja entre duas páginas de microbiologia (que faz qqr coisa mais parecer maravilhosa)

e é um prazer ver-te bem :)

Silent Raven disse...

E depois do discurso dela, o que é que uma pessoa há-de dizer... Citando... "É um prazer ler-te". Especialmente, porque consegues sempre surpreender. :)

Fica bem...
Carla